02/05/10

Era uma vez ... E agora ?

A cada dia que passa tudo na minha cabeça complica mais. Sinto que tenho um nó bem amarrado, um nó cego, um nó que nem eu o consigo desatar.

Os dias vão passando e as inseguranças aumentam. Vou cada vez mais acordando a meio da noite com pensamentos estranhos, com ideias malucas, com vontades perturbadoras. Espero, desespero, aguento, respiro fundo e olho para a lua que entra pela minha janela, talvez seja aqui que vá encontrar a força que tanto preciso.

Fantasio demasiado com tudo o que me rodeia e lamento ter que acordar inquieta instante a instante tentando não passar cada noite com o mesmo sonho, com a mesma figura a rodopiar-me e a embrulhar-me algo equiparado a um cérebro que me tortura a cada momento.

A tortura torna-se massacrante quando quero pôr para trás das costas o que melhor guardo na máquina palpitante que bate a cada segundo.

“Beijarias os meus lábios, provaria a tua boca.” Mergulhava na profundeza desse céu que tens, desse mar imenso e apaziguador que me faz sonhar tão alto e que me acalma, quando o olho. E tudo isto me trocaria os sentidos, me provocaria um certo desconforto quando acordo e percebo que estava toda torcida na cama, enrolada no lençol que acompanha todos os meus pára-arranca durante as horas de sono.

Tenho andado perdida dentro de mim mesma. Não me acho nem me encontro, neste turbilhão de sentimentos que me fazem tremer só de pensar. A nuvem negra vagueia-me pela cabeça, e nada melhor que os meus sons para aliviar a pressão e não deixar que me chova em cima, que me molhe ou me constipe de sentimentos.

Quando libertas um sorriso consigo perceber a quantidade de perfeição que te corre pelas veias. Percebo como tudo se torna frio quando não estás. Percebo como o mundo é ignorante e como ninguém sabe nada de nada ao passo que eu quero aprender tudo e tudo o que ainda não sei.

A primavera começa a chegar, e as nuvens vão recuando cada vez mais rapidamente. Mas, e agora? Será eterno este sol, ou voltarão a vir nuvens carregadas de chuva? Agora, espero para ver, se tiver coragem para enfrentar.

Ana Lourenço

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