27/07/10

Era uma vez ... uma melhor amizade


“Como é que uma amizade de infância, do nada e sem avisar se tornou em tanto? Se transformou num amor louco e incontrolável?”
É algo em que não deixo de pensar…
E de cada vez que me lembro de todos os momentos que passamos juntos, faz-me pensar que a nossa melhor amizade era forte demais, e importante demais para mudar para algo que a pudesse estragar.
Mas estar contigo, depois de tantos meses sem te ver, numa noite em que eu só desejava matar saudades, e com tudo o que aconteceu só faz prever que tudo irá ser mais perfeito ainda.
A lua estava redonda e perfeita, mostrava-se com uma cor brilhante e profunda, que de certo modo não conseguiu ofuscar o brilho dos teus olhos, o encanto do teu sorriso.
Partilhar, noite dentro, os sons da natureza, da brisa a passear em volta das árvores e ouvir a tua voz, o teu riso, o teu nervosismo miudinho que se fez sentir de uma forma tão envolvente foi algo extremamente intenso, enquanto passeávamos de mãos dadas num parque que tanto viu, sozinhos, só nos ouvindo a nos e a natureza que nos rodeava e nos fornecia um ambiente natural em uníssono.
Sentir de tantos em tantos passos os teus braços a envolver-me, o teu cheiro a contrastar com o da noite, a doçura do teu olhar penetrante que fixava no meu e me fazia estremecer…o carinho com que me falavas e as coisas que foste partilhando comigo, os pedidos que me foste fazendo que equivaliam à partilha do que estavas a sentir no momento e que desejavas que sentisse também. A alegria das tuas piadas e essa tua vontade constante de me fazer sentir bem e feliz …
Foi tudo tão mágico, tão único.
Não me arrependo de nada, e coisas que aconteceram também, nessa noite tão completa ficam no segredo dos deuses, fica para nos e para guardar eternamente.

Não sei como tudo isto foi acontecer, mas não me arrependo de ter arriscado tudo, só para poder ter vivido os momentos que vivi contigo.

Ana Lourenço, 27 de Julho de 2010

07/07/10

Era uma vez … 02 de Julho de 2010


Vânia Fontainhas, aqui vai um testamento para ti, sobre o tão bonito dia 02 de Julho de 2010.

Já á muito que te devia este texto, mas agora mais que nunca tenho motivos para escreve-lo.

Sei que num ano de convivência não consegui ser o que fui naquela tarde, mas havia qualquer coisa que não me deixava ser feliz.

E nada melhor que o ultimo dia de aulas ser passado na praia com a prima, a minha Fontinhas e o Fê.

Ora, para começar bem a tarde, não podia deixar de te enganar no caminho, e mandar-te para a direita, quando me situava no lado esquerdo da praia, melhor que isso é estar contigo ao telefone, a dar-te indicações erradas e ao mesmo tempo ouvir-te a fazer-me ameaças de morte ao passo que o Fê me rogava pragas (do tipo, que me caíssem os dentes, que eu ficasse sem uma perna num acidente de bicicleta, ou mesmo que morresse engasgada com um pedaço de broa –’).

Nunca imaginei passar uma tarde contigo na praia. E ver-te ao longe, a aproximar-te do local onde eu estava, foi qualquer coisa de sensacional.

A pior parte foi quando, de súbito, te aproximaste de forma a eu poder ver-te bem, reparei que vinhas com o chinelo na mão, pronta para me agredir. :O

Depois disso tudo deveria ficar normal. MAS, como sempre, Tu, Vânia Fontainhas, tinhas de fazer asneiras e reparar no facto de eu não ter o telemóvel com som. E deste-me uma ideia brilhante, por som no telemóvel :D

Escolhi o toque mais bonito que tinha no telemóvel, uma espécie de tiros ou maquina fotográfica a tirar muitas fotos de uma vez, e pus o volume no máximo.

A grande frustração de tudo foi o mar estar como estava, que nem para um mergulhinho, uma entrada dentro de uma onda, mesmo no momento em que elas rebentam deu para fazer. Mas não deixamos de ir molhar os pés como as senhoras idosas fazem. :D

Foi uma tarde e tanto, mas estava a ficar tarde e tínhamos que lanchar e bazar.

Eis senão quando, eu avisto bem ao longe um jeitoso, com um fato todo justo de bodyboard e com a prancha na mão, e digo, algo como:

- Já vais? Manda lembrança!!! Ai que jeitoso. Eu vou com ele ..

- Psst! Pssst! Oh meninooo!! – Gritas tu, no maior descaramento. (-.-)’

Nem ficou a praia toda a olhar nem nada. Até o rapazinho coitado. :S (Se bem me lembro era alto, bem alto, e lindo, bem lindo. Tinha um rabinho jeitoso também :$) Vergonha por vergonha , por que não amar-me mais uma vez em palhacita ??

- Oh menino! Grava ai: 9132677**. – Gritei eu com metade da praia a olhar (grande exagero) :D

Uff. Tanto o Fê como a minha prima pensavam que as vergonhas acabavam aqui …

Mas, bastou chegar ao café para a Ana se meter em acção de novo.

Primeiro, o Fê pediu torradas e o homem só percebia Red Bull, depois comecei por pedir a maquineta á mulher, aquela onde ela gravava os pedidos. Depois disso, sussurrei bem baixinho que o outro rapazinho estava a mandar mensagens para mim.

E tudo isto, à que relembrar e voltar a trás no texto, ao som do meu telemóvel que tocava a cada 5 minutos com aquele toque estridente e que punha todo o café a olhar para nós, muitos até se assustavam e ficam tipo parvos a observar-nos. O toque ate que não é assim tão mau, mas tanto quanto sei consegui arrancar de ti, da minha prima e do Fê uma das maiores vergonhas das vossas vidas. (Não tenho culpa que o meu Fábio nao viva 5 minutos sem me mandar uma mensagem...A culpa é dele, porque fazia o telemovél tocar constantemente :$)

Não precisam de agradecer. Eu sou assim quanto estou feliz. :D (vá, não precisas pedir aos deuses para eu andar sempre triste :S )

Escrevi grande testamento quando bastava ter escrito que foi das melhores tardes da minha vida e que gosto muito de ti :$$


P.S.- So referi este dia, no meio de tantos outros, porque este foi sem duvida o mais especial para mim, de todos os que passei contigo. :D

Adoro-te, Ana Lourenço

05/07/10

Era uma vez ... Sentir vergonha?



Sinto vergonha hoje e sentirei por meses a fio, por ter falado de mais, por me ter exposto a troco de nada. A vergonha é grande ao ponto de ter vontade de entrar num buraco, ou enterrar a cabeça como a avestruz e de lá não sair.

Porque todos temos o nosso limite. E eu cheguei ao meu. Fartei-me de dar, para nunca receber nada em troca. Fartei-me de ser sempre eu a má da fita e a culpada de tudo, quando no fundo sou a maior inocente.

Não sei o que tanto te assusta, mas da forma como falas é como se te enojasse. E eu não percebo porquê. Não sei que mal teria, não sei o porquê de tanto medo e pressa de tudo acabe, mesmo sem existir. Se calhar ate percebo o teu medo, nunca foste pessoa para imperfeições, sempre quiseste acomodar-te numa perfeição, sem nunca teres pensado se és uma ou não. Porque para receber-mos algo, temos de dar em troca também.

Ana Lourenço

Era uma vez ... Verdades

Tantas são as verdades que tentamos evitar,

Como o fim de algo que desejávamos que durasse para sempre…

Como algo que amamos e não queremos perder…

Como sentir alguém na brisa do vento…

Como ver alguém no brilho da lua…

Quando queremos algo, e esse algo não nos acontece, parece que parte de nos deixa de funcionar como devia, porque a frustração de uma tentativa falhada acarreta com ela uma dor forte e dilacerante que nos consome por dentro e nos faz desejar nunca ter feito papel de idiota.

Há algo de estúpido nas confissões que eu não consigo entender. As pessoas deviam ser capazes de perceber os sinais, e não querer que constantemente lhes digam o que elas querem ouvir. Porque de facto custa mais falar do que ouvir. E muitas pessoas sentem uma necessidade excessiva de ouvir, em vez de interpretar algo banal como um olhar.

E por muito que se confesse com palavras ou mesmo desenhos explicativos, poucas são as pessoas capazes de perceber o que se pretende transmitir, e muitas são as aquelas com capacidades para distorcer tudo e alterar o rumo de algo que podia crescer gradualmente, mas que no fundo acaba com rancor e desilusão.

O resultado de tudo isto é como que imperdoável e maléfico, parece vindo de uma pedra fria e sem sentimentos, e não de algo quente e pulsante como o coração. É triste, mas é assim.

Ana Lourenço