Um misto de emoções ainda me persegue a cada dia, deixando-me por vezes descontrolada.
Sinto me isolada e de mim mesma e tenho a impressão de que mais nada me obedece. A minha cabeça não me obedece, o meu coração não me ouve, a minha pulsação acelera sem que eu a autorize para tal e tudo isto me está a deixar cada vez mais perdida dentro de mim mesma.
Não sou capaz de controlar nada de mim, muito menos quando a distância diminui e consigo ouvir com precisão a sua respiração, os seus paços, os seus movimentos. Posso acompanhar cada passo, cada palavra, cada vontade, sem mesmo estar a olhar.
Os meus olhos anseiam alcançar, anseiam chegar perto, pedem-me a cada segundo que acorde e olhe a realidade, que veja que sim e que jamais negue algo tão profundo e temido.
Quando é cruzado comigo aquilo que eu mais quero evitar, todo o meu escudo desmorona, as pernas tremem, a pulsação acelera, o coração rompe-me o peito. Algo fica comparado a uma bomba prestes a explodir.
Quando olhei o seu rosto, senti-me prisioneira daqueles olhos, brilhantes, profundos. Onde foi que eu errei? Talvez fosse melhor não ter prestado atenção, talvez fosse melhor que não tivesse visto.
Queria trazer para fora tudo o que estou a viver agora. Estaria na hora de enfrentar a verdade, assumir o controlo de tudo o que estou a viver intensamente. Estaria na hora de o partilhar com os outros, e deixar de estar enterrada no meu próprio silêncio.
Talvez deva guardar isto tudo para mim, esperar até conhecer melhor. Tento a todo o custo não contar nada, mas sinto ao mesmo tempo que o deveria fazer. Sem nunca ter procurado, acabei por encontrar. Tenho medo de reacções, tenho medo de tentativas falhadas.
Dispenso muito do meu tempo a pensar em ti, a ouvir-te a ti, a ver-te a ti.
Sonho com o sentir o teu coração a bater junto do meu. Com o teu cheiro. Um abraço, nada mais.
Não dá para evitar. Não consigo controlar.
Ana Lourenço
03-05-2010
I'm Definatly Jealous :|
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